
ESPANHA X ARGENTINA
“VAI MESSI, VAI!!!”
Juan Pedro, com a voz de quem está deixando de ser criança, gritou várias vezes naquele fatídico 19 de julho. Um grupo de argentinos se reuniu num salão da zona oeste de São Paulo em todos os jogos da Argentina, e Messi era a grande estrela. Contra a Inglaterra havia sido mágico, e certamente contra a Espanha faria o mesmo.
Juan Pedro precisava ir ao banheiro, mas se contorceu na cadeira até o intervalo. Todas as suas esperanças se desvaneceram quando Ferran Torres, quase no final do primeiro tempo da prorrogação, marcou o 1×0. Logo depois, Lamine Yamal se abraçou ao cabeludo Cucurela, comemorando. Lágrimas desceram pelo rosto do menino, que não viu mais nada e foi para casa em prantos, enxugando as lágrimas na camisa 10 que vestia.
Andou uns 300 metros e passou em frente a um bar onde espanhóis comemoravam. Ia tirar a camisa quando um garoto um pouco mais velho, vestindo uma camiseta com o nome do goleiro espanhol Unai Simón, se aproximou e disse:
“Não chora não, futebol é assim. Me dá um abraço.”
Essa história é ficção, mas serve para mostrar como é fundamental compreender o outro, mesmo que tenhamos antagonismos com o mesmo. A aceitação da pessoa que nos procura no GSV é a base para que uma relação, mesmo breve, possa servir de alívio num momento em que tudo parece desmoronar.
Os nossos voluntários, através do gsvchat.org, são os espanhóis prontos a receber sem críticas ou julgamentos os argentinos que nos procuram.
Arthur A. Mondin
